Ganhar a eleição foi o primeiro passo para se manter no poder. Se essa era a intenção, conseguiu. Se quer fazer o que não fez nos últimos quatro anos, precisa mudar seus colegas de trabalho. Ele mesmo precisaria fazer uma imersão e examinar o que deu errado no seu governo. Ele é seu próprio sucessor. Não tem desculpas para jogar a responsabilidade nas costas dos perdedores.
O que precisaria fazer? E o que se pode esperar?
Dissipar a crise instalada no STF e, na próxima legislatura, patrocinar um armistício ou o fim das perseguições políticas que, na minha avaliação, aquela Corte promove em nome próprio ou em nome de Lula.
Reduzir o endividamento público para contribuir com a queda dos juros pelo Banco Central.
Reduzir os riscos de inflação. Ao subsidiar a gasolina e o diesel, o governo contém temporariamente os preços, mas pode apenas adiar uma pressão inflacionária que aparecerá no próximo trimestre.
Enfrentar o custo do dinheiro. Juros de 15% para o investidor e de 30% para financiar os negócios são uma bomba programada para estourar até julho de 2027.
Reconhecer que promessas de campanha envolvendo anistias, parcelamentos e subsídios não combinam com a redução do déficit público. Ou não cumpre as promessas, ou os juros não baixam.
Resolver o compromisso de alterar a escala 6×1. Recuar trará decepção. O núcleo mais fiel de seu apoio tolera qualquer desordem programática para manter o poder. Ficará desorientado o eleitor que votou esperando o cumprimento dos compromissos. Não haverá saída sem crise.
Enfrentar a complexidade da reforma tributária, que chegou com a possibilidade de uma alíquota sobre o consumo de 28%, apontada como a maior do mundo, e com mecanismos de arrecadação imediata. Uma combinação que exige atenção aos efeitos sobre o caixa das empresas.
Conter o crime organizado, mais preparado do que nunca para avançar sobre os negócios lícitos e empurrar para fora do mercado empresas enfraquecidas pela descapitalização e pelo domínio criminoso de determinados mercados.
No campo político, deverá empregar muito tempo e assumir compromissos para desfazer os resultados das urnas. Comprará apoios e seguidores. Deverá tentar desmanchar a maioria da oposição por meio de compensações em cargos, emendas e favores.
Não deverá fazer qualquer esforço para reformar o Estado, a Previdência, as estatais e as universidades. Ensino, saúde e habitação tampouco deverão ser prioridades.
O cenário aponta para a estagnação econômica, conjugada com pressão inflacionária e crise fiscal.
Bem-vindos ao quarto mandato de Lula e sua equipe.










