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Sempre maio – por Roberto Freire

Estamos em maio e nada melhor para nós brasileiros inconformados com a nossa realidade política, econômica e social do que nos lembrarmos dos tempos de um maio de 1968.

Ele permanece como um dos grandes marcos da rebeldia democrática e da esperança de transformação humana no século XX. Relembrar tem serventia neste começo século XXI.

Em diferentes continentes, milhões de jovens, estudantes, trabalhadores, intelectuais e artistas ocuparam ruas e praças, movidos pelo desejo de liberdade.

Os dois símbolos mais universais daquele ano talvez tenham sido as barricadas de Paris e a Primavera de Praga.

Em Paris, estudantes e operários desafiaram o conservadorismo e imaginaram uma sociedade mais livre, criativa e humana. O mundo viveu a gestão da revolução francesa, e em cada recanto do planeta terra ela floriu.

Em Praga, buscou-se construir um “socialismo com rosto humano”, algo que já nos movia como jovens militantes do PCB, e também, à um número significativo de quadros partidários. Todos lamentaram profundamente a experiência ter sido esmagada pela intervenção militar soviética.

Mas o espírito de 1968 atravessou o mundo.

No Brasil, a Passeata dos Cem Mil tornou-se símbolo da resistência democrática contra a Ditadura Militar. Na então Iugoslávia, estudantes também saíram às ruas exigindo mais democracia e justiça social. Houve levantes e mobilizações no México, nos Estados Unidos contra a Guerra do Vietnã e o racismo, na Alemanha, na Itália e em muitos outros países.

Cada movimento possuía suas particularidades históricas e culturais, mas havia um traço comum: a juventude estudantil como vanguarda política, cultural e moral de uma geração que recusava o conformismo. A inteligência crítica, a imaginação, a utopia e a defesa das liberdades democráticas tornaram-se marcas daquele tempo.

Recordar maio de 1968 é lembrar que a democracia não avança sem inconformismo, participação popular e coragem de sonhar. E que, muitas vezes, são os jovens os primeiros a perceber que o mundo pode, e deve, ser reinventado sempre.

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