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“Farmar aura”: o que essa tendência revela sobre a saúde emocional dos jovens e seus impactos na família e na sociedade – por Bruna Gayoso

Como psicanalista, observo que as redes sociais transformaram profundamente a forma como os jovens se expressam, se relacionam e constroem suas identidades. Entre as diversas expressões que surgem nesse universo digital, uma tem chamado atenção: “farmar aura”. A prática consiste em buscar construir uma imagem capaz de transmitir mais confiança, admiração ou popularidade. Embora pareça apenas uma brincadeira ou uma tendência das redes sociais, esse fenômeno revela questões emocionais importantes.

Vivemos em uma sociedade que valoriza intensamente a imagem. Demonstrar felicidade, sucesso, beleza e autoconfiança parece, muitas vezes, uma exigência. As redes sociais potencializam essa pressão, levando muitos jovens a acreditar que precisam apresentar uma versão idealizada de si mesmos para serem aceitos e admirados.

Essa busca constante por validação pode favorecer sentimentos de ansiedade, insegurança e inadequação. Quando a autoestima passa a depender de curtidas, comentários e visualizações, ela se torna frágil, pois fica condicionada ao olhar do outro.

A dinâmica de “farmar aura” pode transformar-se em um ciclo exaustivo. Na tentativa de manter uma imagem admirada, muitos jovens escondem suas fragilidades, seus medos e suas dúvidas, dificultando a construção de uma identidade autêntica e emocionalmente saudável.

Entre as consequências que podem surgir nesse contexto, observam-se ansiedade relacionada ao medo do julgamento e da exclusão, sentimentos de vazio e insuficiência, dificuldades para expressar emoções de forma genuína e, em alguns casos, quando associados a outros fatores de vulnerabilidade, maior risco de sofrimento psíquico e de comportamentos como transtornos alimentares e automutilação.

A família continua exercendo um papel essencial nesse processo. No entanto, é cada vez mais comum que pais e filhos compartilhem o mesmo espaço físico, mas não o tempo de qualidade necessário para o diálogo, a escuta e o acolhimento emocional. Quando falta presença verdadeira, muitos jovens sentem a necessidade de construir um personagem para conquistar aceitação, o que pode fragilizar ainda mais sua saúde emocional.

O fenômeno de “farmar aura” expressa o desafio de uma geração que, apesar de estar altamente conectada no ambiente digital, muitas vezes experimenta uma profunda carência de conexão emocional. A busca por pertencimento é legítima e faz parte do desenvolvimento humano. Entretanto, quando a aprovação externa passa a definir o valor pessoal, o sofrimento tende a aumentar.

Como sociedade, precisamos fortalecer espaços dentro das famílias, das escolas e da própria comunidade onde os jovens possam ser acolhidos, expressar suas vulnerabilidades e desenvolver uma identidade baseada na autenticidade, e não apenas na aparência.

No fim das contas, a maior “aura” que alguém pode construir não está na imagem que projeta, mas na pessoa que é. A autenticidade, a coragem de reconhecer as próprias fragilidades e a liberdade de viver sem máscaras são os pilares de uma identidade verdadeiramente saudável. Quando o jovem compreende que seu valor não depende da aprovação alheia, mas do reconhecimento de quem realmente é, encontra um caminho mais sólido para sua saúde emocional e para relações mais genuínas.

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