Amarguem o que não é bom… Mas que já foi o melhor.
As coisas se dão sorrateiramente, bem devagarinho, lentamente, de modo a se passarem despercebidas do que realmente está ocorrendo.
Só percebem aqueles extremamente ligados.
Não que você não seja.
É que você se importa mais com outras coisas e não se interessa pelo que estão tramando por você.
Pra te tirar as calças, seria preciso primeiro tirar o cinto, e na sequência, as calças.
Mas com eles, não.
Pra não dar na vista, tiram as suas cuecas, sem tirar as calças.
E pra tirar as coisas, não é preciso enfiar as mãos nos seus bolsos.
Eles sabem disso.
E fazem, sem que você sinta a menor diferença.
Tiram você do oceano e o colocam numa represa.
Da represa, passam para um pesqueiro.
Do pesqueiro, para um aquário.
Do aquário, para uma tigela.
Aí… você já era.
Não tem mais pra onde correr e nem poder de reação.
Já ouviu a expressão ‘enquadrar’?
Mas é assim que as coisas funcionam.
Depois de enquadrado, não há mais o que ser feito.
E você, com suas convicções, achando que tudo, mais dia, menos dia, irão passar…
Não, não creia.
Pouco tempo depois, se vê entre quatro paredes, sem poder falar com mais ninguém.
Nem receber a visita dos próprios filhos.
Nada.
Apenas nada, deixados alí …
É o que restou.
206 ossos, 650 músculos, 80 órgãos, 360 articulações, 96,5 mil Km de vasos sanguíneos, 37,2 trilhões de células e 86 bilhões de neurônios.
Nada além disso, somados aos sentimentos, a fome e o medo.
Freud sabia que a “A morte é o alvo de tudo que vive”
Assim, Cícero também:
“O passado é lenha calcinada. O futuro é o tempo que nos resta: finito, porém incerto”.
É preciso acordar desse pesadelo.
Sigamos com coragem.












