A menos de três horas do último debate presidencial do primeiro turno, duas decisões individuais mudaram as regras do jogo. No TSE, a ministra Estela Aranha proibiu a Globo de exibir em destaque o púlpito vazio de Lula e de dirigir perguntas ao candidato ausente. No STF, Gilmar Mendes mandou incluir Renan Santos, do Missão, no lugar deixado pelo petista. Logo depois, Flávio Bolsonaro desistiu de participar, alegando censura imposta pelo TSE.
A primeira decisão protege diretamente o candidato que fugiu do confronto. A ministra argumentou que a participação em debates é facultativa e que a cadeira vazia funcionaria como pressão indevida. Estela Aranha foi secretária de Direitos Digitais e assessora especial de Flávio Dino no Ministério da Justiça, e chegou ao TSE em agosto de 2025 por nomeação de Lula. Às vésperas da eleição, quem integrou a equipe do governo decidiu, sozinha, poupar o presidente-candidato do constrangimento que ele mesmo escolheu.
A segunda decisão reverteu o resultado que Renan havia obtido em duas instâncias. Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, negou o pedido, e Cármen Lúcia rejeitou a ação no Supremo por considerá-la o instrumento inadequado. Gilmar entendeu que o candidato cumpria os critérios da própria emissora e determinou sua presença com tempo e posição iguais aos dos demais. Em pouco mais de um dia, o mesmo pedido foi negado, barrado e, por fim, concedido.
O resultado é um debate sem os dois candidatos que lideram as pesquisas, montado por despacho judicial e não pelas regras pactuadas entre emissora e partidos. Quando juízes decidem quem aparece, como aparece e o que pode ser mostrado ao eleitor a três dias da votação, o Judiciário deixa de arbitrar a disputa e passa a participar dela.
https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/10/01/decisoes-de-tse-e-stf-alteram-dinamica-do-debate-da-tv-globo-a-poucas-horas-do-inicio-e-flavio-anuncia-desistencia.ghtml











