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Cultura

ANALFABETISMO DIGITAL por Sorayah Câmara

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Os livros são o melhor antídoto contra o empobrecimento da linguagem, dificuldade de concentração e outros problemas pelo excesso digital.
É um processo gigantesco, atualmente, fazer crianças e adolescentes focarem num bom livro.
O livro “Faça-os ler! Para não criar cretinos digitais”(Editora Vestígio), do neurocientista francês Michel Desmurget trata da questão do analfabetismo digital.
Ele escreveu, também, um best-seller “A fábrica de cretinos digitais: o impacto das telas para nossas crianças”.
Nesse livro são apresentadas pesquisas feitas em países europeus que sustentam, entre outros pontos, que os “nativos digitais” podem ser os primeiros filhos a ter QI inferior ao dos pais.
Na verdade, o gosto pela leitura não é inato, espontâneo e precisa ser transmitido, de preferência pelos pais e professores.
Há muitas consequências pelo abandono da leitura pelas novas gerações como o desempenho escolar, como também, o vocabulário, a manutenção da memória, a estruturação do pensamento e a apropriação de conhecimentos complexos.
Prejuízos são causados também pela falta de leitura de livros para o sono e na aquisição de linguagem, problemas de concentração e aumento de ansiedade e do risco de obesidade.
Porém, a questão fundamental é que os leitores de hoje serão os professores de amanhã!
A leitura prazerosa é uma necessidade premente de desenvolvimento para as crianças.
Portanto, é importante ler para nos afastarmos do risco do analfabetismo digital.
Há um convite permanente de multiplicidade e desvio de escolhas no universo digital que já estaria na sua estrutura.
Na Antiguidade clássica formaram-se três formatos básicos que estruturam nossa prática de leitura: o livro, a tela e a arquitetura.
Cada gênero desenvolveu suas regras de recepção e suas armadilhas próprias para o olhar atento.
Paulo Freire (1921-1997), educador e filósofo brasileiro, dizia que a criança já sabe ler muito antes de se deparar com o desafio de ler organizadamente um livro.
A leitura, portanto, não é uma introdução de algo radicalmente novo em alguém que antes era uma tábula rasa.
Paulo Freire, autor de “Pedagogia do Oprimido” afirmava que a mera leitura do mundo, sem confrontação com a realidade, sem mediação com outras leituras, não causa o efeito necessário à expansão da verdade.
Enfim, apesar de toda facilidade que a internet proporciona à sociedade, ainda existem muitos indivíduos que não sabem utilizá-la corretamente levando ao analfabetismo digital.

“Há aqueles que não podem imaginar o mundo sem pássaros, há aqueles que não podem imaginar o mundo sem água; ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros.”
Jorge Luis Borges (1899-1986), escritor.

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