Um Regime ruiu.
Os Poderes da República perderam funcionalidade. Foram capturados por interesses privados e encontram-se tomados por conluios de toda ordem. Não servem mais à Nação.
Sofremos um golpe de estado sob o pretexto de conter outro.
O Senado Federal foi subjugado por lideranças reféns de uma engrenagem de proteção recíproca. Funciona hoje para blindar ministros do Supremo Tribunal Federal imersos nos mesmos escândalos que tragam os próprios parlamentares.
A Casa que deveria tutelar a República apequenou-se, reduzida a anteparo de interesses escusos e acertos subterrâneos.
O Supremo Tribunal Federal perdeu sua integridade institucional. O que resta naquela corte não é o exercício do Poder Judiciário, mas a prática obsessiva da autoproteção.
Tomado pela pior judicatura de sua história, o tribunal sucumbiu a fissuras internas e ao cinismo ideológico. Abandonou a produção de segurança jurídica para operar como instrumento de tutela política: usurpa a soberania popular, promove blindagens seletivas e persegue dissidentes.
No Poder Executivo, o Presidente da República, como todo adicto em recaída, reedita práticas de um passado de escândalos sistemáticos, sempre negados ou minimizados.
O avanço de articulações internacionais de contenção ao Foro de São Paulo expõe conexões regionais que desnudam a fragilidade moral do governo, sua “simpatia” pelo “eixo do mal” russo-sino-iraniano e seu comprometimento com a narcopolítica latino-americana.
Internamente, o Planalto sobrevive apoiado no consórcio com a cúpula judicial e submerso em acordos fisiológicos no Parlamento, incapazes de sustentar qualquer ilusão de normalidade.
O governo não tem direção, não gera estabilidade e não governa: apenas se arrasta.
A aliança entre o Executivo e a judicatura engajada, inoculada no STF e tribunais superiores, constitui uma aberração institucional que labora contra a Nação. Foi desenhada para conter a soberania popular e calar liberdades, sob o falso pretexto de “salvar a democracia”.
Posto a nú e desprovido de coerência, legitimidade e amparo popular, o arranjo ruiu.
O regime morreu. Vaga como morto-vivo por instituições em frangalhos. A ordem vigente não opera mais como República e há muito rompeu o pacto constitucional.
O Brasil suporta os escombros de um sistema que se dissolveu por dentro. O que se projeta na tela da vida pública é mero simulacro, um corpo inerte mantido de pé apenas pelo peso do próprio aparato, deslocado por inércia.
A ruptura é fato consumado. Cabe à Nação resgatar a Pátria.

Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor estratégico e ambiental. Sócio fundador do escritório Pinheiro Pedro Advogados, é diretor da AICA – Agência de Inteligência Corporativa e Ambiental. É Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo Blog Analítico The Eagle View.












