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O feitiço, o feiticeiro e mais – por Paulo Costantini

Tramaram contra o Judiciário brasileiro e, consequentemente, contra si mesmos quando menosprezaram os juízes envolvidos em cada uma das instâncias que culminaram na condenação do atual mandatário. Decidiram como se não houvesse amanhã, sem nenhum custo, escrúpulo ou consequência.

Só decidiram… O amanhã chegou muito rápido.

Brincaram e zombaram de outros juízes, desembargadores, advogados, da OAB… e, por fim, das próprias leis e da Constituição. Acreditem ou não, mas caíram na própria rede. Inacreditável, a verdade. O feitiço virou contra os feiticeiros. Parece negro de fumo no ventilador; os dias ficaram nas trevas de tanta névoa. Afasta de mim esse cálice!

Vi que o presidente do STF foi destratado pelos seus colegas de plenário, sem reagir à altura do cargo que ocupa e da sessão que presidia. Estranho, Excelência… Com toda a vênia, tem gente votando enquanto implicado. Pode? Só no STF e em mais nenhum lugar do mundo. Que coisa absurda! Achei que o STF primava pelo cumprimento das leis e da Constituição. Ah, pode não, seu doutor!

Deixou-se ser esculachado pela chacota, pelo desconhecimento e avilte do decano, e pelo modo debochado do último ministro empossado. Como falou o jornalista: “O Supremo Tribunal do Brasil morreu”. Pena que ele percebeu tão tarde. Pergunta para o atual mandatário se essas figuras foram indicadas por meritocracia.

O descrédito tomou conta do Judiciário e do Brasil. Que pena do que transformaram o Brasil! A insegurança jurídica também veio a galope para ficar. Conseguiram reunir no STF o pior quadro de todos os tempos. Um dos ministros chegou a pedir desculpas em profunda consternação e tristeza; pediu desculpas ao povo brasileiro em meio a um julgamento.

O presidente da Casa teria dito e prometido que o STF trataria com firmeza e serenidade as decisões sobre o caso de um ministro entregue pela Polícia Federal. Cadê a firmeza? A serenidade ultrapassou os limites e foi além da conta. Presenciamos ministros sem compostura e desabusados, que levaram a cabo um grande espetáculo de insolência e avacalhação do plenário.

O Brasil e o STF enviaram um alerta vermelho e negro aos investidores e compliances do mundo inteiro. Tive que admitir… aqui, a corrupção é tolerada. E ainda tem gente que torce e vota a favor dela. Aliás, são os grandes culpados.

Houve um desmoronamento da autoridade de quem presidia o plenário das últimas sessões. Ficou na mira de uma grande ofensiva dos ministros defensores… ainda com o endosso de outro ministro e do próprio pivô. A estratégia é conhecida e corriqueira em outras atividades: explorar a falta de postura enérgica com uma ação conjunta e intimidatória. Valente, entre verdadeiros leões famintos, o pivô, ministros gigantes e serenos… com seus argumentos e conhecimentos jurídicos.

Temos que entender, definitivamente, quais políticos devem ser eliminados da política, porque se servem do Brasil, e não servem ao Brasil. Há uma diferença semântica fundamental… sendo o exemplo mais clássico a oposição entre denotação e conotação. Em decisões diametralmente opostas, não se pode ter dois certos. Temos um certo e um errado.

Um decidiu afastar o diretor-geral da Polícia Federal e o diretor de inteligência. Nunca se viu. Nunca se viu uma coisa dessas! Nunca se viu. Pois é… nunca se viu. Não deram 24 horas e a decisão — com o aval de toda a Segunda Turma — foi anulada monocraticamente, reintegrando os dois agentes. E com um pretexto nada republicano. Quando um ministro diz que o STF virou a “Casa da Mãe Joana”… é porque ele realmente virou!

Já viram alguma vez um Judiciário marcar uma sessão para decidir se irão decidir investigar alguém ou não? Acho que é a Casa da Mãe Joana e a Casa do Chapéu. Viram alguém participar do seu próprio julgamento? Não existe em lugar nenhum. Só pode virar piada mesmo. Fizeram de tudo para perder a credibilidade… e conseguiram. A ciranda continua. Votem em um desgoverno e irão amargar mais quatro anos e mais quatro bons anfitriões no STF.

Meu caro, a rapadura é doce, mas não é mole. Quando o seu ódio por alguém é maior que a sua transigência e ódio pela corrupção… o problema não é esse alguém. Seja, pelo menos, sincero e coerente consigo mesmo. Qualquer faixa hoje colocada na frente da sua própria casa não pode se utilizar de certos adjetivos. Imagina colocar o seu nome nesse balaio. De preferência, um bolo de carniça regado a rum seria melhor.

Ives Gandra disse: “Votar em alguém assim não significa ser de direita ou de esquerda; significa uma tolerância moralmente insustentável com o crime e o criminoso”. Seu vice disse: “Ele quer voltar à cena do crime“. Imaginem o tamanho da encrenca… Pensando aqui com meus botões.

Olhem o Wall Street Journal: “O mandatário desse desastroso governo deixa um legado de inflação, desemprego, aumento da criminalidade e perda de confiança nas instituições. Ele, que se apresenta como ‘o pai dos pobres’, na verdade, é o pai do caos”. Disseram mais: que já era um desastre anunciado. Para o Wall Street Journal, ainda, ele não é apenas um problema para o Brasil, mas uma ameaça global, pois sua influência corrosiva se espalha como uma doença perniciosa pela América Latina. Dizem mais: “O Brasil, que deveria estar crescendo e se consolidando como uma potência global, caminha a passos largos rumo ao declínio moral e democrático”. O artigo ainda conclui: “Enquanto esse governo continuar no poder, o Brasil estará destinado ao fracasso, e a região, ao retrocesso”.

Um é pouco, dois é bom, três é demais… imagina quatro, camarada! Fica a seu critério. Aceite o número dois com cheiro… mas não se esqueça de puxar a descarga. E não se preocupe com dois turnos. Às vezes… é preciso mais de uma descarga para eliminar os dejetos.

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