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A eminência parda do caso JK – por Alex Solnik

Não basta dizer que a ditadura matou o ex-presidente Juscelino Kubitschek. A “ditadura” não mata ninguém. Quem mata são as pessoas que a comandam. Para entender o que aconteceu naquele 22 de agosto de 1976 na Via Dutra, temos que reconstituir os movimentos de uma pessoa chamada Guilherme Romano. Ele não tinha posição no governo Geisel, nem no SNI, naquele período chefiado pelo general João Figueiredo. Mas era o melhor amigo do general Golbery, fundador e primeiro chefe do SNI e chefe da Casa Civil de Geisel.Play Video

Não era só amigo. Ele mesmo se apresentava como “o Golbery do Golbery”. Era um agente extraoficial daquele órgão que perseguia os inimigos da ditadura. E o papel dele no caso JK nunca foi suficientemente definido, a não ser no meu livro “O Código 12”.

Eu já sabia, pois saiu em todos os jornais e em vários livros antes do meu, que Romano apareceu na cena do desastre quase ao mesmo tempo em que ele ocorreu e se apossou de vários objetos do ex-presidente, inclusive de 22 páginas de seu diário. Mas nem os jornais nem os livros se preocuparam em desvendar o mistério: como ele chegou tão rapidamente ao km 165 da Via Dutra naquele fim de tarde?

A explicação lógica é que isso só pôde ter acontecido porque ele estava no Hotel-Fazenda Vila-Forte durante o período em que JK esteve lá. É possível que tenha participado da reunião para a qual Juscelino foi atraído sob o pretexto de conversar com emissários de Geisel sobre a abertura. Estando ou não na reunião, o fato é que ele só poderia estar no local do choque do carro de JK com a carreta se o tivesse seguido. Ou seja: ele saiu do hotel-fazenda logo atrás do Opala de JK. E só fez isso porque sabia que alguma coisa poderia acontecer com o Opala. Talvez tenha até ajudado a provocar o desastre, pressionando o Opala a aumentar a velocidade. Porque só assim o experiente motorista de JK perderia o controle do carro, que se deslocaria abruptamente para a esquerda, como aconteceu.

Romano só conseguiu ser um dos primeiros a testemunhar a morte de JK porque estava a serviço de seus companheiros da ditadura: Geisel, Figueiredo e Golbery. Ele só sabia que a reunião no hotel-fazenda tinha o objetivo de sabotar o Opala porque foi informado por eles. Claro que jamais será encontrado algum relatório do SNI mandando sabotar o carro ou matar JK. Mas a reconstituição dos acontecimentos do dia 22 de agosto de 1976 não deixa dúvidas de que Guilherme Romano é a eminência parda do caso JK.

Alex Solnik é colunista do Brasil 247 e comentarista na TV 247, é jornalista e escritor. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão” e “O domador de sonhos”

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